Inclusão no Mercado de Comunicação

A noite de ontem, 2 de julho, trouxe reflexão aos participantes do bate-papo sobre os projetos Nós Negros e Cultura Jovem de Perifa, na Miami Ad School São Paulo.

Rita Romão, co-fundadora do Nós Negros e aluna do Bootcamp de Planejamento, contou sobre a proposta do projeto, que trabalha com questões étnico-raciais tendo a Educação como base de atuação nas ações de formação e capacitação dentro de escolas, exemplificando algumas dinâmicas já trabalhadas pelo grupo. A ressignificação de paradigmas já foi uma das atividades realizadas, em que as crianças eram incentivadas a desconstruir frases como “nega do cabelo duro”, “cabelo pixaim”, “preto parado é suspeito, correndo é ladrão”. Outra dinâmica utilizada pedia que as crianças colocassem em uma caixinha coisas que já ouviram, então, eram convidadas a desconstruir os esteriótipos junto aos voluntários.

“Sou preta, pobre, periférica e publicitária. Graças ao sistema de cotas nas universidades, fiz uma faculdade e hoje estou aqui.”, disse Rita, que hoje é assistente de planejamento na Hybrid Colab, ao compartilhar sua ideia sobre o papel fundamental que tem a comunicação na transformação da sociedade. “Não é colocar mais diversidade nos 30 segundos, é sobre mostrar para as pessoas onde elas podem estar. Se não vemos uma médica negra protagonista, a sociedade está dizendo para meninas que têm esse sonho, que elas não podem estar ali.”, completou.

O estudo Cultura Jovem de Perifa, apresentado por Rafael Moura, assistente de planejamento na F/Nazca S&S e também aluno do Bootcamp de Planejamento da Miami, e Mike Mendes, que trabalha no estoque da mesma agência, trouxe aos participantes uma visão real da vida na periferia de Diadema e a reflexão sobre a importância de agências e empresas darem oportunidades de trabalho aos jovens que moram na periferia. “Quando saem da perifa, esses jovens se veem no porteiro, no faxineiro… e dentro dela se sentem ameaçados pela polícia.”, disse Rafael, que enfatizou como as oportunidades de emprego podem transformar a vida desses jovens.

“Sou imensamente grato a um dos funcionários da F/Nazca, que disponibilizou, durante muito tempo, uma hora da semana dele para me ensinar o que era propaganda.”, disse Mike ao nos convidar a pensar como cada um de nós pode fazer a diferença doando tempo e compartilhando experiências.

O estudo Cultura Jovem de Perifa mostra muitos dados interessantes, como a divergência entre a imagem que os veículos de comunicação mostram sobre a vida na periferia e o sentimento de orgulho e pertencimento que os moradores têm de onde nasceram. A ligação dos jovens com as marcas também é um fato interessante mostrado pelo estudo. O gráfico que apresenta como o jovem de classe C e D gasta seu dinheiro, aponta 46% em compras. “Eles querem mostrar o poder aquisitivo, pois consumindo, eles são.”, concluiu Rafael.

Quem se interessar pelo estudo pode entrar em contato com Rafael para saber mais.

 

By |2018-07-03T12:46:18+00:00julho 3rd, 2018|Uncategorized|0 Comments